Os livros da minha TBR que pretendo ler mas nunca pego

Tempo de leitura: 8 min · Foto de capa: coleção pessoal

Vamos lá falar de um crime que todos os leitores cometem: comprar livros mais depressa do que os lemos. Sabes aquela pilha (ou aquela lista infinita no Goodreads) onde moram livros que juraste que ias ler "para a semana"? Chama-se TBR, de to be read, e a minha está cheia de promessas por cumprir.

O mais engraçado é que não são livros que eu ache aborrecidos. Pelo contrário! São livros de que toda a gente fala, que me recomendaram, que me fizeram ficar curiosa ou que simplesmente tinham uma capa tão bonita que não resisti. E, mesmo assim, passam meses, às vezes anos, na estante sem que lhes toque. Como eu perco a paciência com facilidade com livros que não me prendem, tenho sempre medo de pegar num e não conseguir passar da página cinquenta. Fica a dúvida a pairar e o livro fica lá, à espera.

Por isso, decidi pôr aqui cinco desses livros e perceber, em voz alta, porque é que ainda não os li e porque é que, no fundo, estou desejosa de o fazer. Quem sabe se depois deste artigo não crio coragem? E se já leste algum, por favor diz-me se vale a pena!


Capa de Lessons in ChemistryDivulgação

Lessons in Chemistry

de Bonnie Garmus

Começo por um dos mais falados dos últimos anos. Lessons in Chemistry (em português, Lições de Química) foi o romance de estreia da norte-americana Bonnie Garmus, publicado em 2022, e tornou-se um enorme sucesso de vendas em todo o mundo.

A história passa-se nos Estados Unidos dos anos 60 e tem como protagonista Elizabeth Zott, uma química brilhante numa época em que as mulheres eram constantemente desvalorizadas nos laboratórios e vistas como secretárias ou donas de casa em potência. Elizabeth não se deixa calar e luta pelo seu lugar na ciência. Pelo caminho, apaixona-se por um colega de investigação, e a vida dela muda de formas que nunca imaginou. Mais tarde, a protagonista acaba a apresentar um programa de culinária na televisão, onde trata cada receita como se fosse uma experiência química e, de caminho, incentiva as espectadoras a acreditarem mais em si mesmas.

Pelo que se lê nas críticas, o livro mistura humor, crítica social e uma personagem feminina forte. Foi também adaptado a uma série da Apple TV+ protagonizada por Brie Larson, o que me deixa ainda mais curiosa. Porque é que ainda não o li? Talvez porque me tenha chegado com uma fama tão grande que fico com medo de criar expectativas demasiado altas. Mas uma protagonista que usa a ciência para desafiar o mundo é exatamente o tipo de heroína que quero conhecer.

Capa de Mile HighDivulgação

Mile High

de Liz Tomforde

Mudemos de ares, porque este é bem diferente! Mile High é o primeiro volume da série Windy City, da autora Liz Tomforde, e faz parte daquele universo de romances desportivos que ganhou muita força nas redes sociais, em especial no BookTok. A série passa-se no mundo do hóquei no gelo, um ambiente competitivo, cheio de egos, treinos, jogos e, claro, muita tensão romântica entre os protagonistas.

Pelo que vejo, este género costuma ser descrito como leitura leve e viciante, daquelas que se devoram rapidamente, com diálogos afiados e aquele clima de "vai acontecer, mas quando?". Parece-me o tipo de livro ideal para desligar a cabeça depois de um dia mais pesado.

Então porque é que ainda não peguei nele? Os romances que ficam muito populares nas redes sociais parecem-me sempre uma pequena aposta. Podem ser uma ótima surpresa ou podem soar a uma história que já conheço. Ainda assim, a curiosidade é grande e a fama do livro precede-o. Quando precisar de uma leitura sem grandes exigências, é para ele que vou.

Capa de E então, lembro-meDivulgação

E então, lembro-me

de Catarina Costa

Este é provavelmente o livro mais diferente de todos os que aqui trago, e também aquele que mais me faz pensar. E então, lembro-me é da autora portuguesa Catarina Costa, natural de Coimbra, e foi publicado em 2023 pela Guerra e Paz. É um livro curto, com cerca de 184 páginas, mas que, pelo que li sobre ele, tem muito para dizer.

A protagonista, Laila, acorda numa cama de hospital, numa cidade sitiada, sem memória e sem ovários. Pouco depois, é levada para uma casa onde vivem outras mulheres na mesma situação. A partir daí, a narrativa oscila entre a realidade e a imaginação, entre a lucidez e a paranoia, e levanta reflexões sobre o que significa ser mulher, sobre o corpo, a identidade e a memória. Algumas leitoras referem que certas ideias se tornam um pouco repetitivas, mas que o livro compensa pelas reflexões que provoca. Convém também saber que aborda temas sensíveis, como a amnésia e referências a pensamentos suicidas, por isso é um livro que pede o momento certo.

Talvez seja por isso que ainda não lhe peguei. Gosto de apoiar a literatura portuguesa e de me desafiar com histórias que me tirem da zona de conforto, mas este parece exigir uma disposição mental especial. É um daqueles livros que quero ler quando estiver com a cabeça tranquila e em condições de o absorver como ele merece.

Capa de Great Big Beautiful LifeDivulgação

Great Big Beautiful Life

de Emily Henry

Chegamos a uma autora que está presente em todas as listas de romance contemporâneo. A norte-americana Emily Henry é conhecida pelos romances com muito humor, diálogos inteligentes e personagens que prometem fazer-nos rir e chorar na mesma página, como Beach Read e Book Lovers, dois títulos que vejo constantemente recomendados.

Great Big Beautiful Life, publicado em 2025, junta o romance a um mistério. Duas pessoas, ambas escritoras, são chamadas por uma figura reclusa e enigmática que quer escolher quem vai contar a sua história de vida. Competem entre si, partilham o mesmo espaço e, como seria de esperar num livro desta autora, a rivalidade vai-se transformando em algo bem mais complicado. O livro explora ainda temas como a memória, os segredos de família e o poder de contar uma história, e é isso que o torna tão apelativo para mim.

A razão pela qual ainda não o li é que é um livro recente e muito badalado, e quando um livro recebe tanta atenção ao mesmo tempo, às vezes acabo por deixá-lo para depois, à espera de que o burburinho acalme. É um erro, claro, porque a curiosidade só aumenta.

Capa de AtmosphereDivulgação

Taylor Jenkins Reid

Para fechar a lista, trago uma autora que é um caso à parte: Taylor Jenkins Reid. Aqui, a minha TBR é diferente, porque não é medo de pegar num livro dela, é o contrário. Já li Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, estou neste momento a ler o Malibu Rising e estou a adorar. O problema é que agora quero ler tudo o que ela escreveu, e é aí que a lista começa a crescer.

Taylor Jenkins Reid é norte-americana, vive em Los Angeles e tornou-se um dos nomes mais fortes da ficção contemporânea. Os romances dela costumam acompanhar mulheres ambiciosas, complexas e imperfeitas, muitas vezes ligadas ao mundo da fama, seja o cinema, a música ou o desporto, e passam-se em épocas que dão logo vontade de mergulhar. Alguns são contados como se fossem biografias ou reportagens, o que lhes dá aquele ar de histórias reais, mesmo sendo inventadas.

O Evelyn Hugo é sobre uma lendária estrela de Hollywood que escolhe uma jornalista pouco conhecida para escrever a sua biografia, e a pergunta que fica é porquê ela e porquê agora. O Malibu Rising acompanha os quatro irmãos Riva, filhos de um cantor famoso, ao longo de um dia de verão em 1983, durante a grande festa que dão todos os anos em Malibu. E é por estar a gostar tanto deste que me apetece avançar para os próximos.

E os próximos já estão na lista. Há o Carrie Soto Is Back, centrado no ténis, e o Atmosphere, uma história de amor passada no mundo das viagens espaciais, que já comecei, mas dei DNF por não estar no mood talvez. São livros muito falados e que parecem ter todos aquele ingrediente que me conquistou: personagens femininas fortes, histórias que prendem e um final que, pelo que se diz, deixa marca.

Então porque é que ainda não li mais? Porque quando se gosta de uma autora, cada livro é uma pequena decisão. Sei que, se os ler todos seguidos, vou enjooar e deixar de gostar. Mas também sei que, se continuar à espera do momento certo, a lista só aumenta. Fica a pergunta: por onde devo continuar depois do Malibu Rising? Sei que a Atmosphere vai ser dos próximos livros a pegar da autora. O que me aconselham? Aceito conselhos de quem já leu!


E agora, por onde começo?

Depois de escrever tudo isto, percebi uma coisa: o problema nunca foi falta de vontade. Os livros da minha TBR estão lá porque criei expectativas, porque tenho receio de me desiludir ou porque estou à espera do momento perfeito, que nunca chega. A verdade é que o momento perfeito para ler um livro não existe, e se continuar à espera, a lista só vai crescer.

E tu, tens uma TBR gigante que nunca mais acaba? Quais são os livros que juras ler há anos e que continuam na estante? E já leste algum destes? Conta-me nos comentários qual deles devo ler primeiro, porque estou mesmo a precisar de uma ajudinha para tomar decisões!

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