Young Adult, New Adult, Adult: Sabem Mesmo a Diferença?

Tempo de leitura: 6 min · Foto de capa: coleção pessoal

Há uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, qualquer leitor acaba por fazer a si mesmo: "mas isto é young adult ou adult?" E confesso que não é uma pergunta descabida, estas categorias confundem-se com facilidade, sobretudo porque, hoje em dia, muitos livros parecem viver algures no meio delas, sem se comprometerem totalmente com nenhuma. Decidi, por isso, dedicar este artigo a desfazer essa confusão, com a ajuda de alguns exemplos que já conhecem por aqui.

Antes de mais, importa dizer que estas categorias não se definem apenas pela idade das personagens, mas também pelo tipo de temas abordados, pela linguagem usada e, já agora, pelo nível de intimidade presente na história. É essa combinação que determina a prateleira onde um livro acaba por ser colocado física ou digitalmente.


Middle Grade (MG)

Comecemos pelo início. O Middle Grade destina-se a leitores entre, sensivelmente, os 8 e os 12 anos. Os protagonistas e as protagonistas costumam ter essa mesma idade, e as histórias giram à volta de temas como amizade, família, aventura e os primeiros desafios da infância. Não há romance no sentido adulto da palavra, no máximo, uma paixoneta inocente, e a linguagem é simples, direta e adequada a leitores mais novos. Não é uma categoria que costume explorar neste blog, mas vale a pena mencioná-la, até porque muitos de nós começámos a nossa relação com a leitura precisamente por aqui.

Young Adult (YA)

O Young Adult é talvez a categoria mais conhecida do grande público, e destina-se, tipicamente, a leitores entre os 12 e os 18 anos, ainda que, na prática, seja lido por pessoas de todas as idades, incluindo por mim. As protagonistas costumam ter entre 15 e 18 anos, e as histórias abordam temas como identidade, amizade, os primeiros amores e, cada vez mais, questões sociais relevantes para essa faixa etária.

O romance existe, mas de forma comedida: beijos, talvez alguma tensão sexual, mas raramente algo mais explícito. É também no YA que encontramos grande parte da fantasia mais popular entre adolescentes, pensem em histórias de escolas mágicas, distopias ou aventuras épicas com protagonistas jovens a descobrir o seu lugar no mundo. Séries como Harry Potter, já numa fase mais avançada, ou Jogos da Fome, são bons exemplos de como o YA consegue abordar temas complexos, guerra, perda, injustiça social, sem nunca perder de vista o público a que se dirige.

É também frequente encontrar, dentro do YA, subgéneros como o contemporary (histórias realistas do dia a dia adolescente) ou o fantasy (mundos inventados, magia, criaturas fantásticas), cada um com as suas próprias convenções e comunidades de leitores fiéis.

New Adult (NA)

É aqui que a coisa começa a complicar-se. O New Adult surgiu, precisamente, para preencher o espaço entre o YA e o Adult, as protagonistas costumam ter entre 18 e 25 anos, normalmente na universidade ou a dar os primeiros passos na vida profissional. Os temas tornam-se mais maduros: independência, relações sérias, sexualidade, e desafios próprios do início da vida adulta.

É também nesta categoria que entra grande parte do romance contemporâneo que costumo trazer para aqui, incluindo o meu adorado age gap, que raramente teria espaço numa história verdadeiramente YA. Livros como os da Ali Hazelwood, por exemplo, situam-se quase sempre neste território: personagens jovens, mas já adultas, a navegar carreiras, universidades e relações com um nível de intimidade que o YA não permitiria.

A própria Colleen Hoover, de quem já falei por aqui, escreve maioritariamente para este público: protagonistas no início dos vinte anos, a lidar com relações complicadas, traumas do passado e decisões que vão moldar o resto das suas vidas. O mesmo se pode dizer da série Again, de Mona Kasten, com o seu elenco de universitários em busca de amor, amizade e identidade. É, sem dúvida, a categoria onde mais tempo passo enquanto leitora.

Adult

Por fim, o Adult, a categoria mais ampla de todas, sem barreiras claras de idade, as personagens são adultas, plenamente estabelecidas na vida, e os temas podem ser tão variados quanto a própria vida adulta: carreira, casamento, trauma, política, crime, ou, no caso do romance, relações com todo o peso e complexidade que a maturidade traz consigo. É também aqui que o nível de intimidade tende a ser mais explícito, sem as barreiras que ainda se mantêm no New Adult.

Um bom exemplo, dos meus preferidos por aqui, é Fourth Wing, de Rebecca Yarros: uma fantasia claramente pensada para um público adulto, tanto pela maturidade dos temas como pela intensidade das cenas mais explícitas, o que, já agora, deu origem a um novo subgénero que tem estado em voga: a romantasy, a junção perfeita entre romance e fantasia, com protagonistas adultos e um mundo construído com todo o cuidado que a fantasia exige.


Como saber, antes de comprar

Nem sempre é fácil perceber, só pela capa, em que categoria um livro se insere sobretudo agora que o design de capas de New Adult e Adult se tornou praticamente indistinguível, com aquelas ilustrações estilizadas que dominam as montras das livrarias. Ainda assim, há pistas que ajudam: a faixa etária indicada pela editora, a secção da livraria onde o livro está exposto, ou até a própria sinopse, que costuma dar sinais claros através da idade das personagens e do tipo de linguagem usada.

Outra boa fonte, sinceramente, são as reviews de outros leitores, é raro alguém não mencionar, direta ou indiretamente, se um livro tem conteúdo mais explícito, ou se é mais indicado para um público mais novo. Antes de comprar às cegas, vale sempre a pena espreitar uma ou duas opiniões.

Porque é que isto interessa?

Podem perguntar-se porque é que vale a pena saber distinguir estas categorias, já que, no fundo, todas contam histórias de amor, crescimento e superação. Mas a verdade é que perceber onde um livro se insere ajuda-nos a gerir expectativas, tanto em relação ao nível de maturidade dos temas, como ao tipo de linguagem e intimidade que vamos encontrar.

Lembro-me perfeitamente de, na minha adolescência, ter começado a ler livros claramente impróprios para a minha idade, histórias que, hoje, classificaria sem hesitar como New Adult ou até Adult, mas que consumia sem ter noção da diferença. Foi só com o tempo, e já com mais bagagem de leitora, que comecei a perceber estas nuances e a escolher com mais consciência aquilo que ia lendo.

E vocês, o que acham?

Hoje em dia, sinto que ando quase sempre entre o New Adult e o Adult, raramente volto ao YA, exceto quando alguma fantasia me convence particularmente. E vocês, sabem sempre identificar em que categoria um livro se insere antes de começarem a lê-lo, ou também vão descobrindo pelo caminho?

Digam-me nos comentários qual destas categorias preferem, e se sentem tanta dificuldade como eu sentia em distingui-las quando comecei a ler.

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